A aurora abre portas para o dia,
A neblina se dispersa,
As cores se definem.
Eu estou a gritar na minha gruta,
E ouço o eco debater-se contra paredes do meu forte-solidão.
É um gemido que não morre, apenas silencia num retorno tímido ao seu poço de origem.
É uma mensagem perdida de endereço_ esse grito de amor_ preso ao coração.
Uma voz não tem nenhum sentido sem a atenção de alguém específico que a ouça.
No jardim abrem-se flores. Imperceptível desabrochar.
A abelha flutua de flor em flor; na mais pura inocência, no seu ato de amor à vida.
A coruja quieta só espia e pia.
Eu penso em sexo, sol, poesia, rejeição; pecado...
Eu penso nela, sem remorso ou ira, sem ressentimentos; e choro sem nenhum receio, pois minha gruta não tem brechas, nem um ai escapará ao vento. Mas oprime meu coração o desprezo, porque esse amor que tardiamente me veio, por certo, veio por alguma razão,
nasceu por algum sentido; e eu preciso saber a que veio. Contudo sei, nesse labirinto escuro e sem saída, sem uma fresta que me leve ou me traga a vida, é impossível que um raio de sol me toque. Embora eu veja as maravilhas do paraíso meus olhos se detêm sob o negro véu da morte.
Que ironia!... “O sentimento que liberta também aprisiona”. Já dizia Shakespeare.
O amor sufoca o homem. O segredo tem limites confusos e caprichos sem nexo, quando seguro quer voz; quando solto, visível, quer silêncio. Muitos ditos só agora faz sentido.
Oxalá, hoje, a nuvem se disperse, um terremoto abra fendas, e um raio de luz traspasse o ar gris e me traga sol... Luz. ”Sol Campos”.